Fulminante

Ontem me deparei com uma pergunta que me fez pensar muito e chegar a algumas conclusões. Coisinhas bobas, talvez óbvias, daquelas que fazem cócegas no nariz e a gente nem vê. A pergunta era:

Qual foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez?

Li na faculdade, num cartaz sei lá de quê. Fiquei estatalada e, rodeada que estava entre jovens, joguei no ar a pergunta. Eis que, enquanto me debatia com a memória tentando desesperadamente me lembrar da situação perguntada, da boca de meus/minhas colegas pululavam situações. Alguns citaram coisas – assim, no plural mesmo – do último final de semana. Detalhe: todos/as presentes têm menos de 22 anos.

Conclusão: quanto mais o tempo passa, menos coisas novas surgem na vida. Óbvio assim. Aos 43 aninhos recém completados, me vi tendo feito algo pela primeira vez no dia 31 de dezembro do ano passado. Passei quase um ano sem ter feito algo pela primeira vez! E olhem que minha vida, neste ano, deu uma reviravolta, foi um ano de muitas mudanças.

Até ontem eu diria – e no fundo creio que ainda diga – que gosto muito da maturidade e que lamento que ela chegue tão tarde. Gosto da serenidade para resolver problemas, da decisão tomada sem tanta impulsividade, da vida interna tranquila, calma e bem-resolvida (seja lá o que isso for). Mas confesso que, desde ontem, estou na dúvida se prefiro o barco-no-lago da maturidade ou o tobogã da juventude… Sinto falta de fazer coisas pela primeira vez.

E você? Quanto tempo leva pra responder à pergunta fulminante?

clockquestion

Publicado em: às novembro 20, 2007 em 2:27 pm  Comentários (5)  

Saravá, Cachaça!

Já me era familiar quando o conheci. Vivia fora do Brasil, com mulher e filhos, e levamos um tempinho até o primeiro encontro. Com ele estão as memórias mais antigas de A., seu amigo de infância com quem compartilha o simpático e sugestivo apelido de Cachaça. De uma afetividade incomum, conquista e se torna amigo bem rapidinho. Assim sempre foi e é fácil imaginar a imensa legião de grandes amigos e amigas que se formou ao seu redor, por todos os lugares por onde passou.

É de uma musicalidade que logo chama a atenção. Nas fotos que via antes de encontrá-lo, eram raras as que suas mãos não tocavam um violão ou uma cerveja ou ambos. De riso frouxo e dono de um talento musical impressionante, não se importava de ficar horas tocando nos (poucos) saraus que fizemos quando estava no Brasil, nos últimos dez anos, tempo que estou na ‘turma’, que já se conhece há uns 30.

Paulinho está no Rio de novo, com mulher e filhos. Mas dessa vez, não em sua visita bienal. Dessa vez, veio sentir o cheiro do mar, comer comidinha de mãe, ganhar colinho de irmão, gargalhar com amigos(as), receber telefonemas de gente antiga, lembrar histórias que os outros esqueceram – mas que ele lembra com riqueza de detalhes –, olhar de perto um favelão que fica atrás de sua janela no hospital.

Paulinho tem câncer, mas estou certa de que o câncer jamais      terá o Paulinho.

Aleluia!

Axé!

Saravá, Cachaça!!

 

 

Publicado em: às novembro 11, 2007 em 3:09 am  Comentários (2)  
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.