Humanos
Sou uma otimista. Do time que diz que um copo pela metade está quase cheio. Sempre fui assim, desde que lembro de mim. Apesar dessa afirmação, tenho achado que o mundo está uma merda. Ou pelo menos os jornais estão…
Bin Laden fala em vídeo mal dos EUA, convida os americanos a aderirem ao Islã; aí vem o Bush e responde que o vídeo é bom para nos lembrar do mundo perigoso em que vivemos e que é hora de demonstrar força americana no Iraque. Bom, vamos combinar uma coisa: Bush e Laden – que até daria um bom nome de dupla country – são adversários não só de idéias mas também de culturas, religiões e métodos. Mas no fundo são tudo farinha do mesmo saco, que também congrega outros milhares de seres inumanos, que pensam, prometem e mentem suas atitudes atribuindo-as a diversas causas.
Além desses pulhas, que são os top lists, temos cá nossas próprias bestas. Renan, neste momento, consegue personificar bem todo o pus a que estamos expostos. Mas temos outros, muitos. E quanto a isso, caríssimos/as leitores/as, tenho meu otimismo acenando com mãozinhas lá no alto. É que acho que o país está melhorando, por incrível que possa parecer-lhes. Mas esse é assunto para outro post.
Depois de meu último falando de exemplos de dignidade, pessoas que me fazem sentir orgulho de ser humana, ler os jornais de hoje me dá certa ânsia de vômito. E acho que resolvi vomitar bem aqui. Desculpem, mas essa é a parte que me cabe deste latifúndio cibérnetico.
Ingnorãça
Tenho lido muita coisa boa pra faculdade (nem sei se contei aqui que voltei aos bancos escolares; estou cursando Letras, 1º semestre). Machado de Assis, George Orwell, Graciliano Ramos, Mia Couto, Amós Oz (estes dois por minha conta), Guimarães Rosa. Este último é meu grande desafio literário. Ainda não consegui ler nem um conto seu. E olha que já tentei várias vezes. Grande Sertão – Veredas já comecei e parei antes de concluir o primeiro capítulo umas quatro vezes. Aí resolvi começar com outra coisa, um conto, quem sabe; me chegou Sagarana e deu-se o mesmo fenômeno. Me sinto ignorante demais pra ler Rosa. Mas vou ter que dar conta.
Alguém sugere alguma coisa?
Seca
Gente, vocês não imaginam o que é a secura de Brasília nesta época de… seca. Há quase seis meses não cai uma gota de chuva por aqui. Haja hidratante pro corpo, pros lábios, pra tudo. Você acorda na madrugada e parece que aspiraram sua garganta. Você anda, obrigatoriamente, com uma garrafinha de água pra onde quer que vá e só há uma companheira mais presente que sua indefectível garrafinha: a sede. Nunca para. Os dias e noites são límpidos e se você já ouviu a expressão céu de brigadeiro, apesar de não entender muito bem seu significado, sabe que aplica-se com maestria ao que se vê todos os dias quando acorda.
Dizem as boas almas brasilienses que no meio de setembro chove. Sempre. Hoje é dia 08 e, sinceramente, não vejo a menor possibilidade de isso acontecer. Vamos aguardar. E rezar pra São Pedro, que julgo ser a instância competente ao assunto.
Oi ! Passo sempre por aqui…
Prazer, meu nome é Paula
Atualmente estou morando em Goiânia… menina, segue o seco, né? Haja hidratante mmo e paciência pra aturar tanta poeira …saudades da poluição paulistana!!! Risos
Bjo!
Bem-vinda Paula,
Saudade também da umidade e do suor cariocas…
Ué… não entendi a sua dificuldade com Guimarães Rosa. O Mia Couto claramente se inspira no GR pra escrever suas histórias. Ele mesmo me disse isso, uma vez. E á notório.
Sei que o GR experimentava um monte, até ficava corrigindo os textos décadas depois de publicados. Mas num sei, acho que se cê gosta de Mia Couto, GR, a influência, é até um caminho natural. Ih, tou sendo dogmático. Desculpa, não foi intenção.
Minha sugestão? Vai pra rede, com um copo de limonada… hmmm… caipirinha do lado, cheia de gelo, que está seco por aí, e fica brincando de passar os olhos no livro. Acho que rola.
Mas uma coisa: antigamente tinha muito mais paciência de ler clássicos. Agora, não sei por quê, mudei dos grandes temas para histórias que meramente divertem. Até meu estilo de escrita mudou horrores. Sou eu só ou são os tempos?
Abração.
Vino, é vero que Mia Couto bebe nas águas de GR, isso já foi dito e redito. Eu acho que minha dificuldade em ler Rosa é que os diálogos trazem uma riqueza tão grande de palavras cujo significado não conheço e nem consigo conceber durante a leitura; ou ainda a raiz de seus temas são tão distantes de minha realidade que nem consigo chegar perto. Sei lá, mil coisas…
Vou tentar passar os olhos, mas acho difícil isso. Sou de levar a sério o raio da leitura.
Quanto a sua mudança de estilo de leitura e escrita, pode ser você e podem ser os tempos também. Tudo acelerado, tudo pelo entretenimento; mudamos tantas preferências que raramente nos damos conta da velocidade e da próprias mudanças. Ou então só uma fase. Será o benedito que tudo tem que ter explicação?
Apareça sempre por aqui; vou tentar fazer o mesmo.
Vou esperar o seu post sobre as razões para continuarmos otimistas. Eu até tento, mas anda difícil…
Oi Shirlloca!!
Como sempre, suas crônicas são mais-que-perfeitas!!
Realmente ser otimista é complicado…eu apesar de ser estressada, estabanada e digamos, um pouco desesperada, também enxergo o copo meio cheio!
E a secura, nem fala…o rim sofre, a pele sofre, enfim, tudo!! Moro aqui a quatro anos e, desde que cheguei aqui nunca choveu no meio de setembro…meu niver é no final de setembro e, até ele nada das gotículas caírem do céu. Enfim, como nos anos anteriores, acho que só dia 5 de setembro mesmo! Beijocas!
Ops, 5 de outubro…é o sono!!
Queridíssima,
Sobre Rosa, só sei das rosas e nada mais pra te falar.
Sobre ontem a noite, sonhei com você mas não lembro o que.
Sobre escrever um livro sobre dois pointers marrons..ué, eu achei que era isso que vinha fazendo já há algum tempo.
Sobre otimismo…você tá ficando louca??????
Amiguinha otimista, Shirley.
Leia “A Terceira Margem do Rio”. Está ali um GR, digamos assim, bem comportado, sem perder sua força narrativa e ficcional. Depois, bem, depois tenha paciência com o “Grande Sertão”… é questão de tempo. Leia em voz alta, é uma música da melhor espécie.
Beijos de um Xandãozinha otimistazinho também