O tal do Otimismo

bebê

O povo tem me pedido gentilmente para que eu explique esse negócio de otimismo a essas alturas do país. Sim, é difícil justificar alguém pensando em construção, quando a volta o que se vê é miséria ampla, geral e irrestrita. Nem sei se saberei explicar algo a essas alturas da noite e do cansaço. Mas tento. Preciso cultivar meus leitores…

Então: quando falei em otimismo em meu último post, estava me referindo ao fato objetivo de hoje termos acesso ao que ocorre do outro lado da vidraça. Cada vez mais – e isso me deixa otimista sim – os eventos, sempre ocorridos em vidas passadas e repassadas no Brasil, estão vindo à tona. E não para respirar. Vêm de formas estranhas às vezes, dentro de cueca, maleta, filha bastarda, top top e em toda a sorte de formatos.

Não sei de vocês, mas muito me agrada assistir ao tipo de gente que vemos há tantos anos fazendo a mesma coisa que não sabíamos bem o que era, sendo expostas, sofrendo processos e tendo que rebolar pra manter seus espaços, que afinal foram construídos a custa de muuuiiita corrupção e corruptela.

Os do copo quase vazio dirão: mas de que adianta? Nada acontece com esses caras. Eles continuam no poder, são absolvidos na calada da sessão secreta do Senado, não são presos e continuam lá, mangando de nós, pobres, limpinhos e honestos mortais. Sim, também senti vontade de vomitar vendo a foto do Lula e do Renan, na primeira página da Folha de SP esta semana. Estavam rindo os dois. Sentados num sofá na primeira página. E riam de quê, perguntei-me. Sem resposta.

Somos sim um país estranho. Não temos muita capacidade de indignação e quando reagimos é, na maioria das vezes, de forma tímida, minguada e por meio de uma minoria. Mas penso também que isso é um aprendizado (há de ser!). Saímos de uma ditadura ferrenha e fdp que interrompeu carreiras, processos criativos, políticas modernas de educação e vidas, muitas vidas. E isso só aconteceu há cerca de 25 anos atrás, o que é pouco se pensarmos em termos de processo histórico.

Temos muito ainda que aprender, desde votar até a manter a todo custo essa tal democracia. E temos muitos fracassos, algum sucesso, muita lambada na cabeça, decepções. É que somos um país complicado. Acho que começou errado e pra consertar é duro. Haja lambada…

Sei lá se consegui explicar o que sinto. Sei que o mundo está pior, a ganância, o meio ambiente, a escrotidão dos poderosos, a miséria que nos cerca e entristece. O que sei, minhas queridas pessoas, é que não consigo ver de outro jeito. Sou assim, tenho fé no ser humano, fazê o quê?

Quanto a foto lá em cima? Ah, tem coisa mais gostosa e otimista do que o sorriso de um bebê?

Publicado em: às setembro 23, 2007 em 5:34 am  Comentários (5)  

Miscelânea

Humanos

Sou uma otimista. Do time que diz que um copo pela metade está quase cheio. Sempre fui assim, desde que lembro de mim. Apesar dessa afirmação, tenho achado que o mundo está uma merda. Ou pelo menos os jornais estão…

Bin Laden fala em vídeo mal dos EUA, convida os americanos a aderirem ao Islã; aí vem o Bush e responde que o vídeo é bom para nos lembrar do mundo perigoso em que vivemos e que é hora de demonstrar força americana no Iraque. Bom, vamos combinar uma coisa: Bush e Laden – que até daria um bom nome de dupla country – são adversários não só de idéias mas também de culturas, religiões e métodos. Mas no fundo são tudo farinha do mesmo saco, que também congrega outros milhares de seres inumanos, que pensam, prometem e mentem suas atitudes atribuindo-as a diversas causas.

Além desses pulhas, que são os top lists, temos cá nossas próprias bestas. Renan, neste momento, consegue personificar bem todo o pus a que estamos expostos. Mas temos outros, muitos. E quanto a isso, caríssimos/as leitores/as, tenho meu otimismo acenando com mãozinhas lá no alto. É que acho que o país está melhorando, por incrível que possa parecer-lhes. Mas esse é assunto para outro post.

Depois de meu último falando de exemplos de dignidade, pessoas que me fazem sentir orgulho de ser humana, ler os jornais de hoje me dá certa ânsia de vômito. E acho que resolvi vomitar bem aqui. Desculpem, mas essa é a parte que me cabe deste latifúndio cibérnetico.

Ingnorãça

Tenho lido muita coisa boa pra faculdade (nem sei se contei aqui que voltei aos bancos escolares; estou cursando Letras, 1º semestre). Machado de Assis, George Orwell, Graciliano Ramos, Mia Couto, Amós Oz (estes dois por minha conta), Guimarães Rosa. Este último é meu grande desafio literário. Ainda não consegui ler nem um conto seu. E olha que já tentei várias vezes. Grande Sertão – Veredas já comecei e parei antes de concluir o primeiro capítulo umas quatro vezes. Aí resolvi começar com outra coisa, um conto, quem sabe; me chegou Sagarana e deu-se o mesmo fenômeno. Me sinto ignorante demais pra ler Rosa. Mas vou ter que dar conta.

Alguém sugere alguma coisa?

Seca

Gente, vocês não imaginam o que é a secura de Brasília nesta época de… seca. Há quase seis meses não cai uma gota de chuva por aqui. Haja hidratante pro corpo, pros lábios, pra tudo. Você acorda na madrugada e parece que aspiraram sua garganta. Você anda, obrigatoriamente, com uma garrafinha de água pra onde quer que vá e só há uma companheira mais presente que sua indefectível garrafinha: a sede. Nunca para. Os dias e noites são límpidos e se você já ouviu a expressão céu de brigadeiro, apesar de não entender muito bem seu significado, sabe que aplica-se com maestria ao que se vê todos os dias quando acorda.

Dizem as boas almas brasilienses que no meio de setembro chove. Sempre. Hoje é dia 08 e, sinceramente, não vejo a menor possibilidade de isso acontecer. Vamos aguardar. E rezar pra São Pedro, que julgo ser a instância competente ao assunto.

Publicado em: às setembro 8, 2007 em 5:16 pm  Comentários (9)  
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