Pronto, voltei pra casa. Fiquei no Rio nos últimos 19 dias, dos quais quatro em Paraty, em ótima companhia, e dois em Araruama com pequena parte da minha família, sempre acolhedora e cheia de comidinhas gostosas e colinhos pra mim e pro meu filho. No conjunto, tudo foi muito bom. Assim como é bom voltar. Aqui tenho maridinho, internet (não querendo de maneira nenhuma colocar esses dois no mesmo nível de satisfações…), minha caminha e meu travesseiro. Sem falar nos cheiros, no silêncio pra acordar e no trânsito bem mais tranquilo que o do Rio. A volta foi ontem, sábado, dia de confusão no trânsito carioca e seu Pan – com provas de rua justo ontem, modificando todo o trânsito no centro do Rio, onde fica o Aeroporto Santos Dumont, e me fazendo levar quase hora e meia de nervosismo e loucura – e nos aeroportos, onde fiquei desconfortavelmente por dez horas. Eu e meu filho de seis anos, cheio de energia e carregando (não descobri onde ainda) umas seis pilhas alcalinas com tripla duração. Uma delícia. Cheguei, tomei um banho e deitei pra descansar um pouquinho antes das 20h. Acordei hoje, com o Luc lambendo minha orelha direita, às 8h da manhã.
Foi um tempo difícil esse no Rio. Há alguns componentes familiares precisando de tratamentos e cirurgias, morreram algumas pessoas muito ligadas a família, outras estão muito doentes; e Sacha, a cachorra da minha sogra (sem trocadilhos, por favor), também está com doença grave e ainda não sabemos bem o que vai acontecer. Bom, isso pra falar em problemas de casa e família. Falando nos externos, vixe… O acidente em Congonhas, tão desnecessário, tão grave, tão triste; as desatitudes do governo e o jogo de empurra da culpa, que culminou com o gesto-símbolo do assessor da presidência, que parece ser exatamente o que certos elementos do governo pensam sobre as mazelas brasileiras.
Ontem passei por Congonhas e por lá me detive por longas quatro horas. Confesso que estava nervosa. Já tinha aterrizado com sucesso, mas ainda tinha que decolar. Minha filha trocou a passagem de avião por uma de ônibus, o que a fez ganhar mais cinco dias na cidade maravilhosa (nada mal) e voltar sem o pânico de voar sozinha. Embora as estradas brasileiras estejam em estado de calamidade há muito mais tempo do que o caos aéreo que se vê por toda parte agora. Li noutro dia que o acidente da Gol que matou 154 passageiros num só momento, ocorreu num mês em que nas estradas morreram quase duzentas. Ou seja, cai um Boeing a cada mês nas estradas brasileiras e parece que ninguém vê e ninguém ouve. Eita, ma que tanta desventura…
Não saí nadinha no Rio dessa feita. Não fui ao samba, nem a Lapa (onde convivem lado a lado o samba, o funk, o hip-hop, a salsa, o forró, o rock, o punk e quem mais chegar), não vi quase nenhum(a) amigo(a). Me pergunto por que e a resposta me soa clara: simplesmente não queria sair, não tinha vontade; o trânsito é violento, selvagem e incivilizado demais pros padrões a que me acostumei; o Pan estava em toda a parte e tornava o trânsito ainda mais caótico do que já costuma ser; meus pais moram longe (Jacarepaguá) e para tudo tenho que dirigir, no mínimo, uns 50 minutos. Além disso, minha experiência de sair à noite no Rio há dois anos atrás, quando levaram o carro de meu pai de minha mão, parece ter sido traumática. Então, fiquei internada em casa, dando e recebendo colo, comendo bolinho de chuva da mamãe e feijoada da Janete. E foi muito bom.
Agora preciso voltar a procurar emprego. Já estou cansada de ficar em férias de desempregada. Beijocas.
“e Sacha, a cachorra da minha sogra (sem trocadilhos, por favor)…”
Não seria portanto a Sacha uma dog-in-law? Uma cunhada canina?
Faço votos que ela melhore.