Sacha

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Gostei do dog-in-law sugerido pelo CJ, título já aceito e que me fez pensar em Sachinha. Ela foi comprada por nós para minha sogra, que já vivia um luto pela Camila (que não conheci) há alguns anos. Era linda demais da conta e com tudo que um filhote de labrador tem de energia e peraltice. Aos poucos foi nos mostrando sua personalidade, seu carisma, seu olhar.

Sacha tem um comportamento que bem poderia ser imitado por várias pessoas que esbarramos por aí todos os dias. Ela é gentil, educada, sensível, tem um olhar tão forte que atrai o seu e o conquista irremediavelmente. E apesar das críticas da Bebel quanto ao famigerado rabo dos labradores, posso assegurar que o rabo de Sacha é educado e giratório. E todas as vezes que chegamos lá ela cata qualquer coisa pra nos presentear, sua bolinha, uma folha etc. Uma vez, trouxe uma florzinha na boca. Delicadeza é apelido…

No tempo em que teve 11 bebês-labradores – cada qual mais lindo que o outro – presenciei cenas incríveis. Como o dia em que ela deitou a cabeça em meu colo e, por longos 45 minutos, amamentou oito boquinhas sedentas que, com patinhas muito afiadas, ordenhavam cada tetinha dela. E ela ali, sem beber, comer, se mover. E eu ali, todinha pra ela. Tem momentos que a gente não esquece…

Ou quando um gato filhote chegou na casa e cismou que Sacha era sua mãe. Pois não é que ela criou leite sei lá de onde e começou o amamentar o gatinho. O problema é que não parava e começamos a achar que já tinha virado sexo. Um remedinho homeopático resolveu o problema. E o gato, depois de um tempo, fugiu.

Houve também um outro gatinho que apareceu na época que ela teve cria. O gato passava todo o seu tempo junto com os cachorrinhos. No final, virou um labrador. O gato adorava água; sua diversão predileta era deitar no chão molhado e se esfregar; ou ainda, lavar o focinho com a pata molhada na torneira aberta. Cenas inacreditáveis, eu sei. Só mesmo vendo pra crer.

Agora ela tem 11 anos e o peso da idade já está mostrando suas garras. Só espero que ela não sofra nadinha com toda essa história…

Publicado em:  on Julho 24, 2007 at 10:48 pm Comentários (4)

Voltei!

Pronto, voltei pra casa. Fiquei no Rio nos últimos 19 dias, dos quais quatro em Paraty, em ótima companhia, e dois em Araruama com pequena parte da minha família, sempre acolhedora e cheia de comidinhas gostosas e colinhos pra mim e pro meu filho. No conjunto, tudo foi muito bom. Assim como é bom voltar. Aqui tenho maridinho, internet (não querendo de maneira nenhuma colocar esses dois no mesmo nível de satisfações…), minha caminha e meu travesseiro. Sem falar nos cheiros, no silêncio pra acordar e no trânsito bem mais tranquilo que o do Rio. A volta foi ontem, sábado, dia de confusão no trânsito carioca e seu Pan – com provas de rua justo ontem, modificando todo o trânsito no centro do Rio, onde fica o Aeroporto Santos Dumont, e me fazendo levar quase hora e meia de nervosismo e loucura – e nos aeroportos, onde fiquei desconfortavelmente por dez horas. Eu e meu filho de seis anos, cheio de energia e carregando (não descobri onde ainda) umas seis pilhas alcalinas com tripla duração. Uma delícia. Cheguei, tomei um banho e deitei pra descansar um pouquinho antes das 20h. Acordei hoje, com o Luc lambendo minha orelha direita, às 8h da manhã.

Foi um tempo difícil esse no Rio. Há alguns componentes familiares precisando de tratamentos e cirurgias, morreram algumas pessoas muito ligadas a família, outras estão muito doentes; e Sacha, a cachorra da minha sogra (sem trocadilhos, por favor), também está com doença grave e ainda não sabemos bem o que vai acontecer. Bom, isso pra falar em problemas de casa e família. Falando nos externos, vixe… O acidente em Congonhas, tão desnecessário, tão grave, tão triste; as desatitudes do governo e o jogo de empurra da culpa, que culminou com o gesto-símbolo do assessor da presidência, que parece ser exatamente o que certos elementos do governo pensam sobre as mazelas brasileiras.

Ontem passei por Congonhas e por lá me detive por longas quatro horas. Confesso que estava nervosa. Já tinha aterrizado com sucesso, mas ainda tinha que decolar. Minha filha trocou a passagem de avião por uma de ônibus, o que a fez ganhar mais cinco dias na cidade maravilhosa (nada mal) e voltar sem o pânico de voar sozinha. Embora as estradas brasileiras estejam em estado de calamidade há muito mais tempo do que o caos aéreo que se vê por toda parte agora. Li noutro dia que o acidente da Gol que matou 154 passageiros num só momento, ocorreu num mês em que nas estradas morreram quase duzentas. Ou seja, cai um Boeing a cada mês nas estradas brasileiras e parece que ninguém vê e ninguém ouve. Eita, ma que tanta desventura…

Não saí nadinha no Rio dessa feita. Não fui ao samba, nem a Lapa (onde convivem lado a lado o samba, o funk, o hip-hop, a salsa, o forró, o rock, o punk e quem mais chegar), não vi quase nenhum(a) amigo(a). Me pergunto por que e a resposta me soa clara: simplesmente não queria sair, não tinha vontade; o trânsito é violento, selvagem e incivilizado demais pros padrões a que me acostumei; o Pan estava em toda a parte e tornava o trânsito ainda mais caótico do que já costuma ser; meus pais moram longe (Jacarepaguá) e para tudo tenho que dirigir, no mínimo, uns 50 minutos. Além disso, minha experiência de sair à noite no Rio há dois anos atrás, quando levaram o carro de meu pai de minha mão, parece ter sido traumática. Então, fiquei internada em casa, dando e recebendo colo, comendo bolinho de chuva da mamãe e feijoada da Janete. E foi muito bom.

Agora preciso voltar a procurar emprego. Já estou cansada de ficar em férias de desempregada. Beijocas.

Publicado em:  on Julho 22, 2007 at 4:31 pm Comentários (1)

Parati ou Paraty?

Flip Paraty

 

Paraty é lindíssima – seja lá como for escrita – e a Flip é o máximo. Recomendo como banho de letras, palavras e, finalmente, livros. Autores fantásticos falando de si, dos outros, dos lugares, de histórias, de História, de personagens; enfim, falando muito de tudo. Cada qual mais interessante que o outro. Vamos aguardar a Bebel postar sua crônica contando pra vocês um pouquinho de cada figura, que ela ficou responsável por essa parte.Apenas alguns pequenos detalhes:

- Andar em Paraty (prefiro assim) é olhando pra baixo que as pedras do caminho são quase perigosas. E pensar que os escravos deviam trazê-las uma a uma no lombo…

- Na pousada em que ficamos há uma ponte de madeira por cima do rio, que vem logo após uma pequena pirambeira de pedras e terra batida e antes de outra pirambeira. Então imaginem: você chega e desce em primeira freiando, aí vem a tal ponte – perigosíssima; errou cai no rio. Depois você sobe também em primeira, derrapando e imaginando como isso seria com chuva. Passamos os quatro dias decidindo quem iria beber pra que a outra evitasse a queda no rio.

- Como o homenageado era Nelson Rodrigues, havia frases dele em todos os lugares e isso foi muito divertido.

- José Eduardo Agualusa, escritor angolano, foi eleito o muso da Flip. Quando puderem, dêem uma conferida…

- De dia, um calor do cão; à noite, um frio louco. De dia, autores falando, mesa de autógrafos, compra de livros, discussões acaloradas e literárias; à noite, cerveja e riso solto. Bom demais…

- Da praia de Paraty vemos… as montanhas. Nunca vi paisagem como aquela: tem um morro no mar, é cercada por montanhas na frente, atrás e dos lados. Uma cena a parte toda a vista em Paraty, desde as construções até o mar.

O resto, recomendo se programarem pra ir a Paraty em todos os anos. A Flip acontece sempre em julho e tem coisas que não dá nem pra reconstruir, nem pra contar. Como aquela discussão entre Amos Oz e Nadine Gordiner; ou o Will Seif, um inglês louquíssimo, estilo Arnaldo Antunes, afiado como uma navalha. Maravilhoso! Ou ainda a leitura do primeiro capítulo de Um Defeito de Cor pela Ana Maria Gonçalves. Ou… Ou… Ou…

Bom, nos vemos no ano que vem no Centro Histórico.

Publicado em:  on Julho 11, 2007 at 3:54 am Comentários (8)