Para ti e para mim

Paraty

Após um longo, tenebroso, inesperado e inexplicável tempo sem correr (3 meses), hoje dei minha primeiríssima corridinha. Foi trotado, lento e a certa altura o Paulinho (da Viola) me disse no ouvido “é devagar, miudinho, devagarinho, é devagar…” Delícia das delícias. Tinha pensado em andar, mas não tenho paciência. Que me perdoem os amantes da boa caminhada, mas acho um saco caminhar. Por isso, comecei a trotar e, quando vi, já estava a uns bons 20 minutos e alguns quilômetros. Vou contar maravilhas daqui pra frente, não quero mais parar. Pronto.

E querem saber? Estou indo para o Rio de Janeiro daqui a exatos doze dias. Ai ai… Querem mais? Do Rio, eu e Bebel vamos à Flip, em Paraty. Aaaaahhhhhh!!!! Não, agora fala sério, ir a Flip com a Bebel – que, aliás, foi uma das selecionadas para a Oficina de Crônicas – vai ser tudo de bom. Fica com inveja não, CJ. Mandamos um postal de Paraty pra você, tá bom.

E quem souber de algum emprego por aí, me avisem que esse negócio de ficar desempregada cansa muito. Ando exausta, não paro o dia inteiro e dinheirinha que é bom, neca. Aliás, avisem por aí que só trabalho depois do dia 12, quando estarei de volta das minhas… huummm… como se chama férias de desempregada?

E o pulha do Renan Calheiros, que não só continua solto como ainda é presidente do Senado, pelo menos até o fechamento desse post. Caraca, falta de vergonha não tem limites no cenário político brasileiro.

PS: meu contador conta quase duas mil pessoas. Pô, num é nada num é nada, é coisa pra caramba. Pelo menos pra mim. Brigadim pelas visitas…

Publicado em:  on Junho 21, 2007 at 3:31 am Comentários (4)

Sala de espera

Li na Bebel que o Philip Roth disse que um escritor (olha a pretensão…) nunca sabe objetivamente onde vão parar suas palavras depois que começa a escrever, que caminho elas trilharão ou que surpresas estão para desnudar. Precisamente o que sinto agora. Sala de espera cheia, promessa de longo tempo, papel, caneta, eu. Sabe deus onde isso vai dar…

Começo dizendo então, que vou a Abadiânia na sexta-feira, aquela terra onde se fala inglês. Vou visitar o sr. João de Deus e pedir que reze por nós, que me acuda e vele o sono de minha filha que tem pesadelos horríveis. Digo também que vida de desempregada cansa por demais. Tinha um monte de coisas a fazer que, sem tempo, empurrava com a barriga. Junte essas a outras tantas e meus dias andam curtíssimos. Estou exausta.

Essa semana recebi um youtube nostálgico com a abertura da novela Saramandaia (1976); visual simplérrimo e música forte (Pavão Mysteriozo, com Ednardo), é uma novela cheia de personagens bizarros. João Gibão possui asas; Zico Rosado solta formigas pelo nariz; D. Redonda explode de tanto comer; Seu Cazuza ameaça cuspir o coração toda vez que se emociona; Marcina, quando excitada, fica em brasa, queimando tudo o que encosta; e o Professor Aristóbulo, além de virar lobisomem, há anos que não dorme, tendo em suas andanças noturnas se encontrado com D. Pedro I e Tiradentes (fonte: Wikipedia). Lembro que tudo se passava numa cidade pequena, com seus habitantes simples, suas manias e fofocas e algum sotaque nordestino forte. Tinha 12 anos na época e não lembro nada da estória; só dos personagens.

Novelas já foram mais interessantes e criativas do que esses pastelões caricatos, cariocas e/ou paulistas, repletos de estereótipos, que hoje nos apresentam. Uma se passa no Leblon, outra em Copacabana; a próxima deve ser na Av. Paulista e cercanias e a outra, pra variar, em Ipanema. Uma mesmice…

Só nos resta o trabalho dos excelentes atores e atrizes, construindo personagens, criando monstros, anjos, mitos ou aquela figura tão realista que é a cara do teu vizinho. Assisti novelas e afins a vida inteira, enquanto morava com meus pais, que continuam sentados lá assistindo tudo que passa de 6h às sei-lá-que-horas. Assistia não só novelas. Chacrinha, Silvio Santos, mini-séries, Trapalhões, Vila Sésamo (olha a denúncia de idade…), Mundo Animal (pré-história da Discovery Channel), Terra de Gigantes, Túnel do Tempo, Feiticeira, Jeannie, Perdidos no Espaço (Dr. Smith, o inesquecível), Tom&Jerry, Flinstones, Scooby Doo (desenhos que meu filho ama).

Mais tarde vieram as Sessões da Tarde, a Tela Quente (sempre morna), a Xuxa; depois a fantástica TV Pirata, o Brasil Legal e outros que ou estão por aí até hoje ou se transformaram na mesma coisa ou sucumbiram aos números do Ibope. É incrível como a TV Globo se infiltrou em nossas vidas e determinou modas, comportamentos, preconceitos, bandeiras, costumes, gírias. Se alguém pergunta o que é um símbolo de poder, respondo sem dúvida: plim plim.

Por isso me irrita essa pasteurização da imagem, esse desprezo pelo Brasil diverso, do interior, das outras capitais, dos inúmeros ritmos, cores, costumes, sotaques, climas e paisagens. O resultado é encontrar nos lugares mais remotos e ermos o mesmo cenário – modas, padrões de consumo, objetos de desejo, cultura – das grandes capitais, sobretudo Rio e Sampa. Com um país como o nosso, tão diverso culturalmente, é de uma limitação…

Está aí pra onde fui. Chamaria isso de reflexões de botequim, mas que, infelizmente, se passa ainda numa sala de espera de um hospital particular em Brasília.

Publicado em:  on Junho 13, 2007 at 4:19 am Comentários (4)

Quase

 

Essa foi a semana do quase.

Quase consegui um emprego, mas fiquei em segundo lugar na seleção. Devo-lhes dizer que não fiquei triste. Teria que ser assistente direta de uma moça tremendamente workaholic e aparentemente difícil; confesso que realmente não tô podendo. Não estou em condições de dispensar algo assim e por isso me candidatei, mas como deus sabe o que faz, fico aqui humildemente aguardando os acontecimentos pra ver se chove na minha horta. Cruzem os dedos aí, hein gente.

Outro quase: hoje, dado meu estado de quase desemprego, fui visitar um centro espiritual em Abadiânia, cidadezinha de Goiás sem muita estória pra contar, com duas amigas. Senti que tudo ali respira em função do sr. João de Deus, nome do médium principal, que, segundo reza a lenda, seria o sucessor de Chico Xavier. Nada direi do centro, até porque não demos sorte e, após uma 1h e 50min de viagem, soubemos que neste dia de hoje o médium iria viajar e adiantou os atendimentos para a manhã. Como não telefonamos antes…

Semana que vem, ainda provavelmente curtindo meu desemprego, voltarei lá. Contarei algo, se me aprouver. O máximo que vi foi que o lugar é lindo, com construções simples e lindas, brancas e azuis; com um mirante calmíssimo que dá pra uma vista fantástica (foto). Além disso, me senti muito bem lá dentro. O dia estava azul, morno e ensolarado e as companhias foram ótimas. Valeu o dia e a viagem.

Mirante Abadiânia
Mas o que queria mesmo contar era o seguinte. Em Abadiânia a língua oficial é inglês. Vocês precisavam ver quanta gente vestida de branco, todas – com raras exceções (em que nos encaixávamos) – falando inglês. Eram alemães, italianos, ingleses, americanos, irlandeses e até franceses. Todos reconheci pelos sotaques. Ou pelo menos imaginei que reconheci. Lá tem pousadas, hoteizinhos, pequenos restaurantes, pizzaria decente, lanchonetes e lojas de roupas exotéricas, seja lá o que isso for. Tudo isso em uma ruazinha de 300 metros, em cujo final, à esquerda, está o centro Dom Inacio de Loyola.

Só aí entendi o que elas tinham me dito no caminho e que, obviamente, achei que era exagero e modo de dizer: vai gente do mundo inteiro lá. Se quiserem saber mais, façam uma busca no outro deus, o google, pelo nome dele e cidade. Tem até um vídeo no youtube (claro né! e o que não está no youtube?), longuíssimo, mostrando coisas inacreditáveis…

Kisses.

Publicado em:  on Junho 2, 2007 at 1:33 am Comentários (6)