Tive visitas importantíssimas na última semana. Acabo de deixá-los no aeroporto. E nem de longe imaginam o quanto me fizeram feliz, o quanto me refrescaram a vida. Papai, mamãe e minha tia-segunda mãe.
Como diria Drummond, de tudo fica um pouco. Fica um pouco do excesso de zelo e carinho desses três, que inundaram a casa de cuidados, abracinhos e preocupações com nosso bem-estar; fica um pouco das conversas que nunca terminavam antes de meia-noite, sentadas as três mulheres sempre na cozinha, beliscando coisinhas e falando de nós ou da vida alheia; fica um pouco das expressões perplexas de avós pela esperteza do meu filho, pela beleza eterna de minha filha, pela obsessão do Luc com minha mãe; fica até mesmo o cheiro de cigarro de três fumantes e o som de big brother que assistem fervorosamente todas as noite.
Fica a lembrança do choro disfarçado do meu pai na chegada e na partida. Do olhar desolado do Luc ao ver minha mãe arrumando sua mala. Do amor absolutamente incondicional dessas três criaturas por mim. Não, eles nem imaginam o quanto me fizeram feliz.
Um pouco do Resíduo de Drummond pra vocês. Puro deleite.
(…) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
(…) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Sabe que eu sou meio arredia quando se trata desses arroubos amorosos familiares…mas seu resíduo de memória me levou lágrima. Uma só. É mesmo inefável essa coisa do amor familiar, mas pra que “nefar”, né? se o sentido é mesmo sentir. Por tudo isso vale a pena viver.
Amiga, tô com saudade, tenho acompanhado a trajetória do “maridinho” com essa coluna e dirigido muitos pensamentos de saúde p aí, p todos vocês, porque não é fácil ver quem a gente gosta sentindo dor. Que aconteça o melhor.
Um beijo enorme.
Ola moça.
Preciso tomar decisões dificeis, ou seja decidir ir pra longe.