Vocação

Cisne

Ontem falei sobre psicoterapia (ou análise, como preferirem) com uma amiga que nunca fez. Falei sobre quão poderoso é esse processo, que não tem nada de fácil; ao contrário, é na maioria das vezes doloroso, amargo, um mergulho no escuro, na lama, no seu lodo. Aquela água escura que não mostra seu fundo, que disfarça amarguras, esconde dores, mascara mágoas.

Por que então buscar uma coisa assim tão estranhamente sofrida? Alguma espécie de sado-masoquismo? Não. É porque dessa areia movediça, que te suga até o osso, você é cuspido e dali sai voando feito um passarinho, leve, alegre, mais seguro. E se não totalmente resolvido, pelo menos sabendo o que tem lá embaixo. E uma vez que sabemos, é difícil não notar quando sentimos o já descoberto e exposto. Complicado? Sim. Creio que só quem já se submeteu a tal processo pode entender o que estou tentando dizer. Quem ainda não se aventurou, não sabe o que está perdendo.

Já disse aqui que a maior aventura da minha vida é criar e educar filhos. Mas até tê-los, quem ocupava esse posto era o processo psicanalítico. Para aventurar-se por dentro de si, há que se ter coragem. Há que se ter vontade de mudar, muita vontade, que pouca não basta; te faz desistir nos primeiros meses. Colocar esse espelho em sua frente e encará-lo uma vez por semana, fuçando, questionando, sentindo é atitude que requer muita determinação.

Mas, caramba, pra que isso? Pra que alguém quer encarar seus medos e aflições se pode continuar simplesmente vivendo na auto-ignorância que é tão mais fácil, confortável e segura? Boa pergunta. Respondo com prazer: no meu caso, porque sempre tive uma profunda e imensa vocação para ser feliz. E tinha uma auto-estima que tentou, a todo custo, me roubar isso. Como podem ver, não conseguiu.

E essa amiga me disse frases interessantes: “ Você é o próprio patinho feio que se descobriu cisne. É a mulher mais bem resolvida que eu já conheci em minha vida!! Não dá pra imaginar você com baixa auto-estima e esse tanto de insegurança que relatas.” E sabem de uma coisa: minha vocação pra ser feliz continua em alta. Só que agora, não é apenas um desejo; é real, materializado. E todas as vezes que me encontrei infeliz, ou saí fora ou mandei embora quem queria me jogar na lama.

E não devo isso a minha terapeuta não; quer dizer, ela teve seus méritos. Mas devo a mim mesma, a minha coragem, força e obsessão por ser feliz. E, claro, a minha mãe que pagou minhas sessões durante anos… Valeu mãezinha, te devo mais essa.

Publicado em:  on Março 30, 2007 at 7:14 pm Comentários (7)

Resíduo

Tive visitas importantíssimas na última semana. Acabo de deixá-los no aeroporto. E nem de longe imaginam o quanto me fizeram feliz, o quanto me refrescaram a vida. Papai, mamãe e minha tia-segunda mãe.

Como diria Drummond, de tudo fica um pouco. Fica um pouco do excesso de zelo e carinho desses três, que inundaram a casa de cuidados, abracinhos e preocupações com nosso bem-estar; fica um pouco das conversas que nunca terminavam antes de meia-noite, sentadas as três mulheres sempre na cozinha, beliscando coisinhas e falando de nós ou da vida alheia; fica um pouco das expressões perplexas de avós pela esperteza do meu filho, pela beleza eterna de minha filha, pela obsessão do Luc com minha mãe; fica até mesmo o cheiro de cigarro de três fumantes e o som de big brother que assistem fervorosamente todas as noite.

Fica a lembrança do choro disfarçado do meu pai na chegada e na partida. Do olhar desolado do Luc ao ver minha mãe arrumando sua mala. Do amor absolutamente incondicional dessas três criaturas por mim. Não, eles nem imaginam o quanto me fizeram feliz.

Um pouco do Resíduo de Drummond pra vocês. Puro deleite.

(…) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.Drummond
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

(…) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Publicado em:  on Março 28, 2007 at 6:16 pm Comentários (2)

Pesadelo

GarfieldAndo tão cansada. De tudo. É baixo astral não, é cansaço mesmo, físico e mental. Ando fazendo um trabalho chato e careta que me deixa assim, meio brocha, irritadiça e sensível. Neste momento a imagem do Garfield foi a melhor expressão do meu estado de espírito. Parece uma TPM daquelas…

Penso no que seria de mim agora se não estivesse correndo regularmente… Tive até pesadelo com um encosto essa noite. Um cara que eu conheço (não digo o nome nem amarrada), ex de uma amiga, que corria atrás de mim e me ameaçava com uma injeção de estriquinina. Acordei muito cedo, sobressaltada e mais cansada ainda. Saco.

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Quero endossar o alerta do meu querido amigo CJ no Notas Avulsas, sobre o portal Domínio Público, uma daquelas maravilhas que existe e ninguém sabe que existe. O link do Notas está aí do lado e vale a pena não só ler, como divulgar o assunto.

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Para os amigos interessados no estado do Atila: vamos hoje a tarde no neurocirurgião e ele deve nos dizer quais serão os próximos passos, se cirurgia ou continuação do tratamento medicamentoso. Na minha humilde opinião, deveria partir logo pra ignorância e operar. Se os remédios (fortíssimos), fossem cortados hoje, a dor voltaria com força total. Além disso, não vejo sentido em ter o risco de passar por outra(s) crise(s) dessa no futuro. Se é pra corrigir e poder levar vida normal pra frente, então é pra frente que se anda. E de coluna erguida, de preferência. Vamos ver.

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Agora chove em Brasilia após semanas sem uma gotinha sequer. Aqui o tempo é muito louco. Pode fazer as quatro estações num só dia. Estou de sainha, camiseta e sandalinha verão, saí de casa com um céu deslumbrantemente azul e me lasquei. Agora o que tenho é um temporal, com trovoadas, vento gelado e – com um pouco de sorte – um belíssimo arco-íris. Vou indo. Beijão.

Publicado em:  on Março 16, 2007 at 6:26 pm Comentários (5)

Flores pra nós

Flores pra nós

Estão vendo, aconteceu o que eu temia. Não consigo dar conta de me manter assídua por aqui. Isso muito me chateia, mas não tem dado mesmo. Bom, pelo menos tenho conseguido correr…

Ando trabalhando muito, mas o que mais tem me absorvido mesmo é a compressão vertebral do meu maridinho, que já sofre com dores horríveis há 25 dias sem tirar de cima. Mas vô falá disso não!

A bem da verdade, não tenho muito a dizer. Só passei pra dizer oi, que esse espaço continua sendo meuzinho e pra indicar uma cartinha ao Bush, escrita pelo Xandão lá no Opinativas. É ótima! O link está aí do lado direito.

Ah! E pra celebrar o dia da Mulher a todas as minhas 357 leitoras assíduas. Obrigada queridas. Também amo vocês. Espero que tenham tido um dia no mínimo agradável e que a celebração seja simplesmente sentir orgulho e prazer apenas por ser quem é, seja lá quem você for. E as flores, são pra nós!

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Gente, só pra comentar: o que é o Big Brother?? Na verdade, não me interessa a resposta. O que me interessa é o que faz as pessoas ficarem tão envolvidas com um troço daqueles, que aliás, nunca acompanhei. Não vejo sentido. Acho um perda de tempo tão profunda que chega a doer. Ainda bem que minha filhinha detesta também. Esse trem influencia negativamente, já que é tremendamente emburrecedor, cheio de gente hã… digamos assim… limitadas, lourinhas, rebolativas e beijoqueiras e que não acrescenta nada de bom a ninguém. Argh!!!

E o conto Retorno é só um conto. Quem quiser que aumente um ponto…

Beijocas.

Publicado em:  on Março 9, 2007 at 3:39 am Comentários (4)