Tenho trabalhado muito. E isso é tudo o que eu quero na vida. Passei três longos anos sem o trabalho fora de casa e que falta me fez. Quase enlouqueci. Foi bom e é claro que tive alguns ganhos importantes; mas ainda bem que acabou. O chato disso é que não consigo tempo pra escrever. E vou acabar perdendo meus sete maravilhosos leitores e leitoras. Desculpem, vou tentar ser mais assídua.
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Alguém aí tem uma amiga que sai do Posto Seis, Copacabana, Rio de Janeiro, no Carnaval e vai pra… Brasília só pra te visitar? Eu tenho, você não teeem!! E olha que Brasília no Carná deve ser dose. É meu primeiro fevereiro nessa capital, mas já me disseram que a cidade fica meio fantasmagórica. O que pode ser bom ou ruim, depende do ponto de vista. No meu, promete ser o melhor carnaval dos últimos anos.

Semana passada foi dia de Nossa Senhora dos Navegantes e tive vontade de escrever sobre ela. Fui engolida pelo tempo e passou. Mas queria ter feito uma homenagem. Minha mãe (e família) nasceu numa cidade incrível em Santa Catarina, chamada Navegantes e onde visito as melhores lembranças de infância e adolescência. E isso inclui as missas, a permissão de entrar na igreja fora de hora, durante o dia e “brincar” lá dentro; a festa do dia 02 de fevereiro com procissão de barcos no rio Itajaí; andar pelas casas das primas da vó Ondina e pedir pra pegar caju, goiaba e melancia no quintal. Único lugar em que andava de bicicleta e me sentia livre como um passarinho. Primeiro porre, primeira paixão, primeiros amigos. Família pra todo lado, almoços, jantares, lanches, festas, muuuita comida. E muito peixe e frutos do mar.
A praia, que seria um capítulo a parte, merece toda minha reverência. Um espetáculo. Tinha umas pixações no muro da última casa: “Praia fechada para almoço de 12h às 15h. Ao anoitecer, aberto o Motel Mil Estrelas”. A mais pura verdade. E outra: “Faça amor e muito séquiço. A praia agradece”. Passei a maior parte dos dias e noites nessas areias que tem o que falar. Um mar de ondas, o som do vento, fogueiras e violadas noite a fora. Tudo regado a caipirinha e cachaça; ao fim da noite, uma passadinha na padaria e pão quentinho com leite de saquinho. Hoje chamariam de luau; o nosso tinha nome nenhum; e nem precisava.
Navegantes tinha a maior concentração de malucos que já vi na vida. Tinha pra todo o gosto. Os psiquicamente doidos e os que ficaram com o tempo e as drogas. Tinha o que loteava a praia e dizia: “é tudcho minha, mas te dou um pedacinho” (esse era o Pudêncio); tinha o que aparecia e te tascava um beijo no meio da rua; tinha a Bia doida – tadinha da Bia – já ri muito com as molecagens feitas pelos meninos com a Bia. Tinha uma família inteira, mãe, pai e cinco filhos, todos doidinhos. Mas tudo da paz. E tinha o do cogumelo, o do ácido; aqueles que viajaram e acabaram se hospedando na própria loucura.
Outro dia conto mais sobre Navega. Poderia ficar horas escrevendo as memórias dos verões coloridos, de biquini e shortinho o dia inteiro. Mas não tenho tempo agora. Outro dia, volto. Breve, espero.
Um beijo.